quarta-feira, 31 de outubro de 2012

As Aventuras de Rodrigo Come-Come: O aniversário


Desenho de Ray Sofia
Desenho de Rayanna - 8 Anos
Era uma vez, uma girafinha de pescoço beeeeeeeeeeeeem comprido, chamada Rodrigo Come-Come. Rodrigo vivia sempre esfomeado, com a barriga roncando e não podia ver comida.

Um dia, Rodrigo foi convidado para uma festa de aniversário. No dia da festa, tomou banho, colocou sua melhor roupa e, como não gosta de chegar atrasado, foi correndo para o local da festa.

Para variar, chegou quase uma hora adiantado. Ainda não tinha chegado ninguém.  Mesmo assim Rodrigo resolveu dar uma olhada no salão da festa, e aproveitando que a porta estava só encostada, foi ver como estava  a arrumação.

O salão estava todo arrumado e tinha duas mesas bem no centro. Uma com um imenso bolo  e outra repleta de doces e salgados.

O cheiro do bolo começou a invadir o nariz de Rodrigo, ele se aproximou da mesa, olhou pro bolo enorme, de três andares, todo coberto de chocolate, uma beleza.  Não resistindo, passou a mão na barriguinha  e disse:

- Tá me dando uma fominnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnhaaaaaaaaaaaaaaac !!

E engoliu o bolo inteiro de uma vez só. Não sobraram nem as velinhas. Com uma abocanhada só, Rodrigo engoliu um bolo enorme de três andares. Assustado, olhou pros lados para ver se alguém já tinha chegado, mas viu que estava sozinho no salão.

Não satisfeito, Rodrigo se aproximou da mesa de doces e salgados. A mesa estava cheia. Empadas, pastéis, bem-casados, brigadeiros, queijadinhas e o seu doce preferido: quindim.

Irresistível !!!! Rodrigo se aproxima da mesa sem tirar os olhos das guloseimas, como se estivesse hipnotizado.  Sentiu o cheirinho de coisa gostosa. Passou a mão na barriguinha e disse:

- Tá me dando uma fominnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnhaaaaaaaaaaaaaaac !!

E comeu todos os doces e salgados de uma só vez!  Não sobrou nenhum para contar história.

De repente ele escuta vozes. E agora? Os convidados estão chegando....

Rodrigo se joga embaixo de uma das mesas e fica escondido pela toalha colorida que cobre a mesa e vai até o chão.

Quando os donos da festa entram no salão e se deparam com as mesas vazias ficam nervosos e sem entender o que tinha acontecido. Onde estão os doces? E o bolo? O bolo sumiu!!!

Rapidamente foram buscar um outro bolo, e alguns doces que tinham ficado na cozinha. Arrumaram rapidamente as mesas, para que o aniversariante pudesse comemorar com seus convidados.

Escondido embaixo de uma das mesas, Rodrigo Come-Come faz um esforço enorme para não fazer nenhum barulho. Mas o cheirinho de coisas gostosas começou a  chegar no seu nariz, e a barriguinha do Rodrigo começa a roncar.

As pessoas  ficaram sem  entender nada. Todos escutando aquele ronco baixinho, como se tivesse saindo do bolo.  De repente, sem agüentar mais, Rodrigo Come-Come  sai do seu esconderijo, avança para a mesa do bolo, passa a mão na barriguinha e diz:

- Tá me dando uma fominnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnhaaaaaaaaaaaaaaac !!

Engole o bolo todinho de uma só vez!  Depois do susto, o aniversariante e seus convidados percebem o que havia acontecido com os bolos e os doces e partem pra cima do Rodrigo.

Rodrigo sai correndo da festa, com toda  aquela multidão atrás dele e se embrenha na floresta, procurando um lugar para se esconder.  Correu muito, durante várias horas, até que não conseguiu mais ver ninguém atrás dele. Muito cansado, suado, sentou-se num tronco  próximo. Ofegante,  só sentia aquele vazio no estômago. Correu tanto que a fome bateu de novo. Passou a mão na barriguinha e disse.....

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Anna Christina

São fotos com emoção. Cada foto com  um verso. Como as fotos, cada verso tem vida própria.E no final um poema  que se completa com as fotos. Um poema e uma foto que juntos representam um amor que dura uma vida inteira...
Afinal eu tenho a mais bela mulher do mundo.


07/11/2012
04/11/2012
01/11/2012

30/10/2012












sábado, 27 de outubro de 2012

Por que as rãs são verdes?

Esse conto infantil eu criei hoje, quando minha sobrinha Ray me pediu para brincar de criar estórias. Eu fui criando na hora e como ela gostou tanto, resolvi colocar aqui no Blog. Enquanto estava escrevendo, encontrei através do Facebook,  Marcel Melo, amigo de longas datas, artista gráfico, e pedi a ele  uma ilustração, que,   15 minutos depois,  já estava em minhas mãos.


POR QUE AS RÃS SÃO VERDES
Para Ray



Era uma vez, uma lagoa muita grande de águas cristalinas. Enorme!  Ela tinha uma ilha bem no meio, dividindo-a em duas partes. A ilha era coberta por  uma vegetação fechada e alta, e  de cada um dos lados da lagoa, não se via o lado oposto.

Do lado de cá da lagoa viviam muitas rãs, bem  verdinhas e de todos os tamanhos, que passavam o dia se alimentando de pequenos insetos e tomando sol em cima das pedras que cercavam a lagoa.

Em meio a todas, uma pequena rã em especial se destacava. Ela chamava-se Gilda e era toda amarelinha. Gilda vivia triste por ser tão diferente e não gostava das brincadeiras que as outras rãs faziam  por causa de sua cor.

As outras rãs a chamavam de canário e ficavam mandando ela voar.  Pura brincadeira de rã. Assim, Gilda vivia sempre sozinha e gostava de ficar sobre uma pedra no meio do lago, olhando para a ilha em frente, tentando imaginar o que lá havia.

Um dia, Gilda se encheu de coragem e resolveu fugir, atravessar a lagoa e nadar até chegar na  ilha misteriosa, nunca antes visitada por qualquer uma daquelas criaturas. Encheu uma mochila de comida e esperou a noite chegar.

A noitinha, enquanto todos dormiam, Gilda nadou até a ilha, e lá chegando, entrou na mata, andando sempre na mesma direção. Um cheirinho gostoso de mato e uma ventania bem fresca acompanhavam Gilda, enquanto ela andava procurando um lugar para descansar  e passar a noite.

De repente, Gilda avista um pequeno ponto de luz, lá distante, e para lá se dirige. A medida que caminha o ponto de luz aumenta e quando chega mais perto avista uma pequena cabana com a janela aberta e iluminada.

Gilda se aproxima, empurra a porta da cabana  e entra, meio assustada. Sentado em uma cadeira de balanço, um sapo bem velhinho, de barba branca e bem comprida, que se arrastava no chão, sorriu para ela e gentilmente ofereceu uma cadeira para que ela se acomodasse.

- Olá, pequena rã, meu nome é Sapusco e o seu?
- Meu nome é Gilda, respondeu.
- o que você faz aqui, Gilda? De onde você vem?
- Eu venho lá da lagoa, fugi de lá. As outras rãs não gostavam de mim.
- Por quê? Perguntou o velho sapo.
- Por causa da minha cor, todas as rãs da lagoa são verdes. Só eu sou amarela.
- Você é especial Gilda, e quando chegar no fim de sua viagem, descobrirá a razão de ser tão diferente. É melhor dormir agora.

Assim, Gilda escolheu um cantinho e se ajeitou, preparando-se para dormir. O velho sapo adormeceu na cadeira e tinha um sono bem barulhento, cheio de roncos e assobios. Gilda adormeceu, apesar do barulho e teve um sono bem tranquilo.

Quando amanheceu,  o velho sapo tinha desaparecido. Gilda juntou suas coisas e seguiu seu caminho através do matagal.  Depois de muito caminhar, Gilda começou a notar que as árvores começavam a ficar mais baixas, e o mato menos fechado. Aos poucos, começou a avistar um lago, apressou o passo e chegou na margem. Não havia ninguém por perto.  Cansada, Gilda escolheu uma pedrinha bem lisa e adormeceu.

O sol forte e já bem alto acordou Gilda.  Ao despertar, ela viu dezenas de rãs ao seu redor. Todas verdes, igualzinhas as da sua lagoa.

Gilda ficou tão triste que começou a chorar. Havia andado tanto pra nada. Aqui, ela também seria diferente de todas as outras rãs.

De repente, uma rã menino, bem azul, da cor do céu, apareceu,  e sorrindo perguntou:

- Como se chama?
- Eu me chamo Gilda, e você ?
- Meu nome é Gil. Você é muito bonita. Parece um canário...
- Gilda sorriu e disse - Obrigada, você também é muito bonito, parece um periquito...

Gilda e Gil ficaram muito amigos e se casaram. Um dia, quando nasceu a primeira  filhinha, ficaram maravilhados. Havia nascido uma rã verdinha.

Gilda então entendeu porque era diferente. Na verdade, no começo dos tempos todas as rãs meninas eram amarelas e as rãs meninos eram azuis, dando origem, assim, as rãs verdinhas.

Gilda percebeu que, na verdade, ela era especial, fazia parte do grupo que originou toda uma raça. Um sorriso apareceu em seu rosto  quando lembrou-se das palavras do  velho Sapusco.

E assim viveu feliz toda a sua vida.


26 de Outubro de 2012






sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A Lágrima e a Flor

















Faz tempo que não vejo,
Faz séculos que eu não sinto,
Faz vida que eu não tenho,
Um livro que sempre li.

Há muito que eu quero,
Faz tempo que eu preciso,
Faz vida que ela existe,
Agora é que descobri.

Mas quando se ilumina o caminho,
E os olhares se cruzam,
As lágrimas alegres e tristes,
Não me deixam mais sozinho.

E a cada lágrima que rola,
É uma flor que desabrocha,
É uma lágrima alegre que chora,
Porque você está aqui.

E quando rola  aquela lágrima,
É como se a flor murchasse,
É  quando você vai embora,
E  a vida deixa de sorrir ...

Outubro - 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Meu Coupe Amarelo

Em 1995, o governo havia  liberado a  importação de carros a pouco tempo e eu comprei  um  Golf Glx 2.0 Roxo, legítima alma alemã,  importado do México. Vendi meu gol bola azul bebê,  e financiei o resto em 12 enormes parcelas. Carro lindo, potente, muito bem acabado. Ninguém imagina como fiquei orgulhoso em olhar pro estacionamento e ver  o meu chucrute roxo paradão, parecia uma modelo, posando para foto de revista.  Só não notei que o Golf não tinha ar condicionado.

Não me perguntem como fui capaz de fazer uma asneira dessas. Acho que estava tão doidão para por a mão no meu primeiro carro de verdade, depois das carroças do período  pré-Collor, que nem notei que o gol de luxo seria a primeira sauna móvel, importada e cara da minha vida.

Foi um ano de sofrimento durante o inverno e prazer imenso durante o verão. Instalar um ar condicionado no Golf estava fora de questão. Além de caro, existia ainda o problema da perda da garantia, pois nem na concessionária era feita a instalação.  Então o jeito era andar de janela aberta e rezar pra não chover.  A minha sorte é que além de chover pouco, ainda se podia dirigir de janelas abertas pelas ruas de nossa cidade, de dia e de noite.

Após um ano, doze parcelas pagas, chegou a hora de me desfazer da minha sauna móvel. Resolvi então comprar um Tempra da Fiat, carrão que fazia o maior sucesso na cidade. Apesar de não ter ar,  o Golf  era  muito bom de venda e consegui um bom preço pelo carrão.

Animado,  fui para a concessionária da Fiat para comprar meu sonho de consumo. Encontrei um modelo completo, cinza chumbo, perfeito. Feliz e radiante, voltei para casa satisfeito, com mais um bloco de parcelas no bolso,  por ter realizado o meu desejo.  No meio do caminho, recebo uma ligação no meu celular, um  bolachão elite,  do vendedor,  pedindo para que eu retornasse imediatamente a loja.

De volta a loja, descobri que tinham me vendido um carro já vendido, e ainda por cima,  que não tinha mais nenhuma unidade na loja. O carro tinha ótima saída e eles venderam  todo o estoque.

Chateado, depois de ligar para as outras duas concessionárias  da marca na cidade e receber a mesma notícia, fui chamado na gerência. Não lembro agora o nome do gerente que me atendeu, mas me disse que tinha uma proposta irrecusável para me fazer. A Fiat havia importado um número reduzido de carros da sua fábrica na Itália e já estavam sendo preparados para a venda.

O gerente me levou na oficina e quando eu olhei o carro, bem de longe, já dei meia volta, chamando o gerente de louco e dizendo que eu não tinha de onde tirar tanto dinheiro para pagar um carro daquele.

O gerente insistiu em me mostrar o carro. Esguio, perfeito, sem um único friso externo. Aerodinâmica de carro de corrida. Um autêntico pninfarinna. O carro foi desenhado pela empresa que cuidava do design da Ferrari.

O carro era lindo e .... Amarelo. Mas amarelo mesmo, igual a cor adotada pelos Correios. Amarelo gema de ovo. Estávamos na época áurea da equivalência cambial com o dólar, tipo 1 pra 1. Assim o carro esta sendo ofertado na época por 32.000 dólares, ou seja uns 4 ou 5.000 a mais do que o já ultrapassado e arcaico Tempra HLX.

E assim,  sai da concessionária, sem placa, no meu  Fiat Coupe Amarelo 2.0 16v, com mais 12 parcelonas no bolso pra pagar. Mas sai satisfeito. Parei no primeiro posto para abastecer e juntou gente pra ver o amarelão. Sucesso garantido.

Isso virou costume, onde eu chegava, juntava gente, para ver minha Ferrari Amarela. Muita gente nem procurava o cavalinho, bastava ver o desenho do carro e a cor para ficar admirando o Coupe.

A coisa  foi tão marcante, que o povo do bairro ensinava as pessoas usando a minha casa como parâmetro: ficava  antes ou depois da casa do carro amarelo?

Foram três anos andando com aquela beleza de carro. Tive sorte, não me deu dor de cabeça, apenas trocava a bateria todo ano, andei quase 100.000 km com ele. Infelizmente a Fiat não importou outras unidades, e a manutenção se tornou inviável. Tive que me desfazer da minha Ferrari amarela. Que saudade!!!

Antes que eu me esqueça, meu carro amarelo  tinha ar condicionado.

Outubro de 2012


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Minhas Luas

De todas as Luas que no mundo existem, certamente as minhas são as mais lindas. Assim são por serem além de lindas, representativas. Elas simbolizam as três fases da vida das pessoas. A Lua inicial, que é a Lua criança, a Lua Plena que é a Lua adulta e a Lua Final que mingua tranqüila a caminho do destino de cada um.

Lua Inicial
 A lua inicial é azul, aparece sempre durante o dia, ingênua, suave e brincalhona, se diverte brincando de esconde-esconde com as nuvens. Exige mais atenção para ser vista, não é tão brilhante e formosa, mas já reflete a personalidade e o caráter de quem representa. Sua energia ainda parece inerte, mas é contínua e crescente. 

Lua Plena

A Lua Plena é intensa, cheia e brilhante. Faz questão de ficar sempre a vista, iluminada. Fácil de ser notada, exala energia, vigor e força todo o tempo. Demonstra a toda hora a vontade de viver e de refletir luz para iluminar as noites escuras, concorrendo com as estrelas longínquas. 

Lua Final


A Lua Final é a mais singela, acinzentada e escura, se esconde por entre as nuvens se despedindo do mundo mas sempre exibindo sua sabedoria através de sua beleza misteriosa. Essas são as minhas três luas. 

Existe ainda uma quarta Lua. A Lua imortal, sem imagem, formada somente de lembranças e saudades, ela vive invisível e dela emanam as idéias e pensamentos das pessoas que ficaram de alguma forma gravados em suas memórias, mesmo quando o sol nasce acordando o mundo.

Nasce o Sol, que ilumina as minhas Luas
Outubro de 2012

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Testamento de um Sonhador


Caminhando por uma rua fria e escura, envolta por uma névoa esbranquiçada, quase cristalina, encontro um velho esfarrapado sentado na calçada. Ele me olha atentamente. Vejo seu rosto triste, gasto pelo tempo e pelo sofrimento. Quando dei por mim, estava parado em frente a ele, sem conseguir me mover, nem um passo.

- Sente-se por favor - me pediu gentilmente, com uma voz surpreendentemente firme.

Me sento ao seu lado e o velho começa a falar, não consigo me mover, não consigo levantar e correr dali. Estranhamente suas palavras vão me fazendo sonhar.

- "Devo ter tido uma morte tranqüila, tal como foi o decorrer de toda a minha existência. Tive uma vida pacata, sem grandes ambições, sem grandes conquistas. Eu queria morrer sorrindo, mas não sei se consegui. Talvez para dar uma pincelada de alegria nesse fim tão triste que a todos  espera.  Acho que chegou a hora da partilha daquilo que de mais valor eu possuía. É muito importante que nesse momento você esteja tranquilo, pois cada um receberá aquilo que mais necessita, mesmo que essa necessidade seja inconsciente."

E assim continuou...

"Para os ambiciosos, eu deixo a metade da minha vida, uma vida sem felicidade. Para vocês, deixo a lição da ambição, uma lição de humanismo, de caridade, de solidariedade, de compaixão. Deixo o meu maior legado, o perdão. Espero que consigam afogar essa vontade  extrema; enfim deixo o mar como exemplo, um imenso mundo líquido que, as vezes, dá muito mais do que  tira."

"Para os vaidosos, deixo a lembrança  dos deformados, portadores de cicatrizes, verdadeiras feridas na alma. Espero que procurem ver mais o interior das pessoas. Olhem  para vocês mesmos, mas não deixem  de criticar o seu próprio ser. Não sejam como a Lua que embora pareça tão bonita e brilhante, não passaria de um satélite escuro e obscuro se não fosse o reflexo de um ser maior, o sol."

"Para os invejosos, deixo o meu desejo solene de não querer, a minha vontade de não conseguir, de não ter. Deixo todos os momentos em que superei em mim a inveja doentia que se abate sobre os homens. Deixo de herança,  o único  desejo que não consegui conter, anular e, por ironia, o desejo que não consegui realizar, o desejo de viver muito mais do que eu vivi."

"Para os idealistas, deixo todos os meus sonhos. Deixo um símbolo , uma pequena e simples flor, pode não ser a mais bela, mas certamente é a mais significativa  - um jasmim perfumado, fresco."

"Para os realistas, apenas um abraço amigo, um  tapinha  nas costas  e meus sinceros votos de uma feliz existência  sem sonhos nem utopias. Espero que vocês  se percam no verdadeiro labirinto da vida, espero que  encontrem o realismo total, puro fruto de um ideal perseguido."

"Para os românticos, deixo os momentos em que admirei a beleza da natureza, deixo todas as impressões que consegui extrair de longas meditações feitas tendo companhia uma alma gêmea  e milhares de estrelas. Deixo o perfume e a beleza das flores,  a fluidez e a elegância dos pássaros."

"Desapareço na certeza de que, lá no fundo, meus erros se diluem juntamente com meu corpo e minha  memória se torna limpa e perdida no esquecimento, como um pequeno ser que um dia nasceu em alguma parte desse mundo".

O velho já não está mais ao meu lado. A rua se torna clara, o sol brilha forte e eu retomo meu caminho, seguindo o  meu destino....

1976

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nas Cennas da Vida


Sempre que o carro deslizava pela pista, uma imensa satisfação me inchava o peito. Curioso, bastava ver o carro em movimento, nada mais me interessava,  somente aquele bólido deslizando nas retas e curvas. Nem mesmo a mesmice de voltas e mais voltas na mesma pista, muitas delas tão iguais que pareciam clones, me tirava a atenção daquele  carro.

Aquele carro representava a valentia, o orgulho de ser da terra, o amor pelas coisas certas, a certeza de fazer o que deve ser feito, o orgulho de ser parelha. Parecia até mesmo que nem motor tinha, parecia que existiam milhares de pessoas empurrando aquele carro dos sonhos pelas retas e curvas. Homens, mulheres, jovens, crianças, todos empurravam com a força do coração. Era um ronco diferente, suave, musical, inconfundível ...

Um dia, alguma coisa começou errado, não se via em sua face a mesma expressão de sempre, um brilho estranho, úmido, embaçava sua vista enquanto observava os mecânicos prepararem seu carro. Fiquei triste quando ele entrou no carro e saiu com um ronco diferente, meio abafado, meio triste.

E de repente o carro se destroça, se desmancha em vários pedaços, e apesar daquela trágica cena eu só conseguia ver aquele capacete pendendo de lado, uma única vez. E quanto mais eles repetiam aquela cena, só o movimento daquele capacete é que me importava, só uma certeza me parecia verdadeira, eu tinha acabado de perder uma das minhas referências de vida. De repente aquele monte de carros coloridosera apenas um monte de carros coloridos, nada mais do que isso. Não tinha mais Senna, em cenna.


Outubro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Votei, e dai?

Nas primeiras vezes que sai de casa para exercer o direito de escolher meus governantes, naquela época de maneira limitada, sempre pensei em escolher entre as ideologias que se apresentavam. Sempre escolhia principalmente as idéias centrais que regiam as ações daqueles que nos governariam por aquele período.

Os tempos foram passando, nossos direitos foram se ampliando e as opções políticas foram diminuindo. É sim, foram diminuindo. Hoje eu voto no menos ruim, e rezando que se eleito ele não se torne o pior.

Deixei de votar nas idéias para votar nas pessoas. Porque os grupos não mais selecionam seus pares pelos ideais políticos comuns. Não existem mais grupos coesos, que pregam as mesmas idéias, os mesmos sonhos.

Hoje se vota nas pessoas, que mudam de partido como se troca de roupa, escolhendo a vestimenta de acordo com o destino, com a festa. Hoje se escolhe o partido pela dita situação política, pelas chances eleitorais, pelos conchavos, pelos patrocínios e pasmem, pela mesada.

É sim, hoje político ganha salário para ser político e para estar político. Ganha salário para politicar, ganha toco pra votar, enche a cueca para favorecer, se vende para manobrar, desviar, enganar aqueles que os escolheram.

Hoje votamos segundo a lei: ladrão por ladrão vote em um irmão, ou seja vote no ladrão conhecido. Se criaram a lei da ficha limpa, a genética providenciou a evolução daqueles que não podem mais participar da brincadeira de polícia e ladrão. Tomara que os filhos dos de ficha suja, continuem com suas fichas limpas, para que o ciclo não se repita.

E eu, que segundo dizia meu pai, já dobrei o cabo da boa esperança, característica de quem já completou mais de 50 anos, continuo vendo um país com os mesmos problemas de 20, 30, 40 anos atrás. Os pátios das universidades publicas repletos de carros novos e os estudantes mais pobres estudando a noite nas universidades particulares.

Não mudou nada, as escolas públicas sucateadas, os professores ganhando salários irrisórios, mal preparados sem condições de trabalho para preparar os alunos para disputar um mercador de trabalho cada vez mais competitivo, uma competitividade que chega além das fronteiras.

Aqui, na nossa terra, é a terra do tudo errado, onde nossos produtos industrializados são mais caros aqui do que no exterior, onde a população trabalha mais de que os trabalhadores dos países ditos desenvolvidos, os se paga mais imposto no mundo, onde se tem os piores serviços públicos do mundo.

Onde se acredita nas pessoas humildes até onde elas deixam de ser humildes e passam a agir do mesmo jeito e praticando as mesmas ações daqueles que combatiam.

É minha, gente, já fui da direita pra esquerda, do centro pras pontas, agora, só me resta um desejo quando se trata de política... Quero o meu direito de não escolher...




Outubro de 2012