quarta-feira, 20 de maio de 2015

Pensamentos


A delicadeza, antes de qualquer outro significado!!

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Dizem que encontrar um bichinho desses na natureza é sinal de bons ventos que chegam para nos conduzir para dias melhores. Tomara que seja verdade, porque, de vez em quando, me falta a vontade de prosseguir, diante de tanta pedra que aparece no meu caminho ...

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Procuro nas flores, através de suas cores, formas e da sua perfeita combinação com o  meio onde se encontra,  capturar,  além da beleza da imagem, um pouco da harmonia que sempre consigo perceber  quando procuro o melhor ângulo para registrar através das minhas lentes.

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É impressionante o quanto eu aprendo convivendo com a minha mãe de 93 anos. Depois de me ensinar a ser gente, de me ajudar a aprender as primeiras letras, de me mostrar a importância de ser uma pessoa do bem, de me ensinar a dar e receber amor e carinho, de contribuir na formação do meu caráter e personalidade, agora, aos 54 anos de idade, estou me tornando um ser humano melhor, aprendendo com minha mãe a cultivar duas qualidades indispensáveis em  qualquer pessoa, a paciência e a tolerância, duas características que não faziam parte do ser humano Jan Souto Maior. Mais uma vez obrigado minha mãezinha !!!

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De repente, olho para cima e a máquina está  na mão ....  o dedo já meio cansado pela idade não nega fogo e ai ... a ave de aço é capturada enquanto passeava na imensidão azul ... click !

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Existem sentimentos que nos envolvem como se fossem laços, existem forças que nos mantém laçados, existem laços que não queremos desatar. O que importa é realmente quer estar onde estamos, com quem queremos, laçados por  nossa própria vontade!!

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E a lua aparece sob o céu azul assumindo um tom prateado e enchendo de emoção  o coração dos esperançosos ...

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Choro quando lembro do meu pai, choro quando quando lembro do Senna, choro quando me emociono com um fato ou uma cena. Choro quando vejo o sofrimento de um ser humano, choro quando vejo uma mão sendo estendida, quando preconceitos são vencidos, quando acontecem guerras e tragédias, quando transparece a  pureza das pessoas. Choro toda vez que algo me atinge e me mostra que sou mais do que um simples ser humano, me mostra que eu tenho alma e que aqui dentro do meu peito bate um coração que ainda se emociona. 

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No mundo dos sonhos tudo é possível, até mesmo aprisionar a Lua egoisticamente, para apenas iluminar minha escuridão.

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É sempre muito difícil deixar de acreditar na vida, mesmo quando as coisas não estão dando tão certo quanto você queria e merecia, a noite, enquanto você se lamenta usando a escuridão como ouvinte, me aparece uma cena dessas  para me fazer pensar e procurar uma saída ...
 
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Quanto mais velho fico, mais preciso das pessoas e menos delas encontro para conviver. 
Quanto mais velho fico, mais atenção preciso e menos  tenho quem possa me aturar.
Quanto mais velho fico, mais sensível me torno e mais pessoas encontro para me fazer chorar.

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Não me falta a liberdade quando não consigo andar, mas me sinto preso quando não consigo lutar pelo meu destino!!!!

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É triste e frustrante olhar para trás e ter a certeza de que se tivesse  que fazer tudo  de novo faria bem diferente, mesmo contra os seus próprios princípios !!! 

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E a chuva forte embaralhou suas pétalas como uma cabeleira assanhada pelo vento e pela chuva. Mas a cor marcante chamou minha atenção, o amarelo de fogo se sobrepondo ao verde, impondo sua presença ...

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Não existe nada que represente mais a esperança do que esse meio fruto meia flor !!

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Fica difícil  deixar de me surpreender com os insights que a natureza me oferece. É só manter os olhos, a mente e o coração bem abertos e procurar ver ....

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Sempre que vejo  uma  rosa, procuro em suas pétalas  e em seu perfume  o prazer e a satisfação  necessária  para viver e me sentir  humano.

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Sou pequenina e me perco  no meio do mundo. Quero apenas ser notada e alegrar um pouco o seu dia. Eu sou uma flor ...

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No mundo verde os tons e contrastes nos revelam  uma beleza ímpar produzida por luzes e sombras. 

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A vidinha mais ou menos só é mais ou menos quando está mais para mais do que para menos, porque quando está mais para menos do que para mais não é mais ou menos, e sim menos ou mais !!! Já dizia o indiano metido a filósofo Naj Roíam, Das Índias.

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Nem sempre as mentes matriciais são frias e  insensíveis, nem sempre os que estão por trás das máquinas são máquinas, nem sempre somos tão lógicos, tão racionais ...

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Nem é preciso talento ou equipamento sofisticado para retratar uma beleza dessas, principalmente quando a mãe natureza fornece a luz do sol e a maquiagem através das gotinhas de orvalho que iluminaram essas lindas flores nos primeiros raios da manhã de hoje !!!

 



terça-feira, 14 de abril de 2015

Liberdade

Não me falta a liberdade quando não consigo andar, mas me sinto preso quando não consigo lutar pelo meu destino!!!!

I do not lack freedom when I can not walk, but I feel trapped if I can not fight for my destiny !!!!


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Guerras Pessoais



Lutamos em  guerras que nem existem mas que precisamos vencê-las . Existem guerras invisíveis para todos,  mesmo para aqueles mais próximos. São guerras que lutamos dia após dia, sozinhos, dentro de nós mesmos. Existem guerras que só tentamos lutar e  vencer por causa de outras pessoas, pois se fossem guerras solitárias, perder ou ganhar não teria a menor importância.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Coleçao Aprender Brincando

Mário e Jan
Um dia, eu estava conversando com papai e surgiu a idéia de criar uma coleção de cartilhas direcionadas para as crianças das escolas públicas. A coleção teria a finalidade de contar a vida e a obra de brasileiros ilustres, através de uma linguagem acessível, e ilustrada com desenhos para colorir, o que certamente tornaria mais agradável a utilização das cartilhas nas atividades escolares.

Papai só impôs uma condição: a coleção não poderia ser comercializada, teria que ser distribuída nas escolas. Diante disso, a única saída foi procurar patrocinadores, empresas que bancassem a impressão das cartilhas em troca de publicidade na capa.

Assim, papai começou a produzir o texto da primeira cartilha, que contaria a história de Gilberto Freyre, e eu fiquei com a missão de procurar um artista gráfico para ilustrar o texto, fazer a diagramação gráfica da cartilha  e encontrar uma empresa para custear a impressão.

Para fazer as ilustrações convidei o Marcel Mello, que na época estava começando suas atividades como artista gráfico, mas já tinha um traço bem definido e marcante. Quando conversei com o Marcel, ele adorou a idéia e topou de primeira. Achou fantástica a idéia de distribuir as cartilhas nas escolas públicas.

Em seguida, o mais difícil, a empresa para patrocinar a impressão das cartilhas. Resolvemos fazer uma parceria com a Fundação Gilberto Freyre, que tinha um convênio com o Governo do Estado que promovia constantes visitas dos alunos das escolas da rede pública à Fundação Gilberto Freyre. A idéia de distribuir as cartilhas através da Fundação durante as visitas foi sugerida e aceita imediatamente pelo então Superintendente Gilberto Freyre Neto.


Assim, fui procurar uma empresa para patrocinar  a impressão da primeira cartilha, intitulada Um Menino Chamado Gilberto Freyre, com a chancela da  Fundação que levava seu nome. Na verdade, não foi difícil. Comentei o projeto com o Clóvis Lacerda, na época diretor da Elógica, que era o maior provedor local de internet. Ele topou na hora. Adorou o projeto. Papai ficou muito feliz. Foram impressos 15.000 exemplares do primeiro número da coleção Aprender Brincando.



Fizemos o lançamento na Fundação Gilberto Freyre, que a partir desse dia passou a distribuir as cartilhas com os alunos das escolas públicas que participavam das visitas dirigidas à Fundação.

A partir dai, meu pai não parou mais de escrever, quando dei por mim, mais três textos já estavam prontos: Joaquim Nabuco, Dom Hélder Câmara e Capiba.Com os três textos já ilustrados pelo artista plástico Marcel Mello parti em busca de patrocínio para as cartilhas. Encontrei na BCP Telecomunicações um grande parceiro. Através de um dos seus diretores, Albino Serra, meu amigo particular, entrei em contato com o departamento de marketing da empresa que comprou de imediato a idéia. Eles adoraram o fato da coleção não poder ser comercializada.

E assim foi feito. Foram impressos 15.000 exemplares de Um Menino Chamado Joaquim Nabuco, 15.000 exemplares de Um Menino Chamado Hélder Câmara e 15.000 exemplares de Um Menino Chamado Capiba. Todos distribuídos pela Fundação Gilberto Freyre aos alunos das escolas públicas que visitavam a Fundação.

O sonho do meu pai estava realizado, de uma vez só atingimos um grande público, carente de informações, com um produto gratuito e de boa qualidade. Assim, no início do ano 2000, a coleção Aprender Brincando contava com 4 números impressos e meu pai estava para completar 80 anos no dia 14 de maio. Resolvi então prestar uma homenagem a ele e escrevi o texto de Um Menino Chamado Mário Souto Maior. O Marcel fez as ilustrações e a BCP bancou, mais uma vez, a impressão. Lançamos a cartilha durante a sua festa de 80 anos que foi realizada na Fundação Joaquim Nabuco, no dia do seu aniversário. Foi um sucesso e meu pai ficou muito emocionado. Como as anteriores, a cartilha foi distribuída nas escolas públicas pela Fundação Gilberto Freyre, mais 15.000 exemplares foram entregues aos alunos carentes de nossa cidade.

Em novembro de 2001, meu pai faleceu. Com a morte dele a coleção Aprender Brincando foi interrompida. Passei uns bons anos sem ter coragem de manusear as coisas dele. Até o site ficou abandonado. No ar, mas estagnado. Me faltavam forças, ânimo para me envolver com o mundo do folclore de Mário Souto Maior. Algum tempo atrás, resolvi refazer o site dele, na tentativa de não deixar morrer a sua obra, a sua memória, não deixar que ele, com o esquecimento, morresse pela segunda vez (frase de um escritor, do qual não lembro agora). Contando com o apoio cultural do Urbano Vitalino Advogados, o site foi refeito usando um gerenciador de conteúdos e foi todo repaginado. Estamos colocando vários dos seus livros para download.

Procurando material para o site, encontrei alguns disquetes de papai. Entre outros, encontrei mais 6 textos para a coleção Aprender Brincando. Monteiro Lobato, Assis Chateaubriand, Rui Barbosa, Câmara Cascudo, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e um texto chamado Uma Cidade Chamada Recife.

Resolvi então retomar a coleção. Primeiro, disponibilizando os números já existentes para download de duas formas: Uma versão para leitura e uma versão para impressão em tamanho A4. Em qualquer impressora as cartilhas impressas usando a função frente e verso já sairão prontas. É só dobrar e grampear, podendo assim ser distribuídas para todos que tiverem interesse nos livrinhos.

Os textos inéditos tentaremos publicar. Vamos procurar empresas para financiar a impressão e distribuir o maior número de exemplares possível. Você quer ajudar? Entre em contato: jan@soutomaior.eti.br

Versões para Download

Um Menino Chamado Gilberto Freire  -  Leitura  |  Impressão
Um Menino Chamado Joaquim Nabuco  -  Leitura  |  Impressão
Um Menino Chamado Hélder Câmara  -  Leitura  |  Impressão
Um Menino Chamado Capiba  -  Leitura  |  Impressão
Um Menino Chamado Mário Souto Maior  -  Leitura  |  Impressão

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Um Menino Chamado Mário Souto Maior



Um dia, conversando com papai, sugeri que ele escrevesse livrinhos infantis  sobre a vida e obra de grandes brasileiros. Criamos assim a coleção Aprender Brincando. Convidamos, então, o artista gráfico Marcel Melo para ilustrar os livrinhos que seriam destinados, exclusivamente, a distribuição gratuita nas escolas públicas da cidade do Recife. Com os livros escritos e ilustrados corremos em busca de patrocínio para que fosse possível distribuir uma grande quantidade de exemplares.  Com o apoio do Grupo Elógica e da BCP Telecomunicações, hoje Claro, foram publicados e distribuídos Um Menino Chamado Gilberto Freyre, Um Menino Chamado Hélder Câmara, Um Menino Chamado Joaquim Nabuco e Um Menino Chamado Capiba, num total de 15.000 exemplares de cada.





 Para homenagear os oitenta anos do meu pai, tomei seu lugar e em 2000 escrevi Um Menino Chamado Mário Souto Maior, que foi lançado durante sua festa de 80 anos realizada na Fundação Joaquim Nabuco em  14 de julho de 2000. Aqui vai ela... 


UM MENINO CHAMADO MÁRIO SOUTO MAIOR


       - Xiiiiii, cadê vôinho? Será que não vai ter estorinha  hoje, Tio Jan?  - gritou Lucas, contrariado.

- Vai sim, Lucas. Seu avô teve que sair, mas o tio aqui vai contar pra vocês uma estorinha muito bacana que, com certeza, vocês vão gostar.

A meninada me olhou, desconfiada. É que eles já estavam acostumados a ouvir, aos domingos, o avô contando estórias descrevendo a vida de grandes brasileiros e o que fizeram para merecer o respeito de  todos. E fui sentando na cadeira do avô deles, meu pai, Mário Souto Maior. Mesmo desconfiados, todos se sentaram perto de mim, meio insatisfeitos, mas curiosos.

- Sobre quem vai ser a estória de hoje, Tio Jan? - perguntou Carol.

- É sobre um pernambucano que vocês conhecem muito, um cabra da peste que já escreveu muitos livros sobre o povo nordestino, seus usos, seus costumes...

- E o que é cabra da peste? Será um bicho, uma cabra doente? - quis saber Érica.

- Não, Érica. Cabra da peste é como são chamadas  as pessoas que nascem no interior do Nordeste. Pessoas corajosas, valentes e boas e que, desde cedo, enfrentam os problemas causados pela seca, por exemplo...

- Ah! entendi, Tio Jan. mas quem é esse cabra da peste? - perguntou Érica.

- Vocês o conhecem muito bem. O nome dele é Mário Souto Maior.

- O vôinho? - perguntaram todos.

- Ele mesmo.

- Ôba! - gritaram todos de uma só vez.

- Conta, Tio. Conta, vai.

- Então prestem atenção. Mário Souto Maior, o vô Bálio (como o chama Eduardo), filho de Manuel Gonçalves Souto Maior e de Marieta da Mota Souto Maior, nasceu no dia 14 de julho de 1920, na cidade deBom Jardim, interior de Pernambuco, a uns 100 km de Recife. Cresceu como todo nordestino, tomando banho de açude, jogando pião e boa de gude, empinando papagaio, caçando lagartixa de bodoque, chupando pirulito de açúcar, saboreando algodão doce e alfenim, andando pelo mato em busca de aventuras, brincando de Lampião e Antônio Silvino armado de baladeira ou estilingue ou bodoque.

- O que é bodoque, tio? - perguntou Marcelo.

- O bodoque, baladeira ou estilingue é feito com um pequeno galho de árvore, geralmente de goiabeira, no formato da letra Y, no qual se prendem dias tiras de borracha de câmara de ar de automóvel, brinquedo muito usado pelos meninos do interior.

- E serve pra que? - perguntou Bruno, que estava muito atento.

- Os meninos usam o bodoque para atirar, usando o fruto da carrapateira ou bolinhas de barro como balas.

- Aqui, em casa, tem uma goiabeira. Só falta a carrapateira... - falou Lucas.

- Mas vamos continuar a estória. O menino Mário começou a aprender a ler quando fez 10 anos, na escola da professora Santinha. Fez o curso primário e ginasial no Colégio Marista (Recife), o pré-jurídico no Colégio Carneiro Leão, para em seguida, formar-se em Direito pela Faculdade de Direito de Alagoas.

Antes de terminar o curso de Direito o avôbde vocês casou com vovó Carmen e tiveram seus sete filhos: Fred, Gise, Jane, Lis, Jan e os gêmeos Glen e Ed.

- Puxa Tio, que nomes engraçados - falou Marcelo.

- Ah! Foi o avô de  vocês que escolheu e caso nome tem a sua estória.

- Conta Tio...

- Vou contar. O nome escolhido para o primeiro filho foi FREDERICO. Mas o avô de vocês , separando as sílabas  do jeito dele, encontrou FRED-É-RICO. Como não tinha ninguém rico na família, cortou o ERICO e batizou o menino como Fred, que, como vocês sabem, é casado com Maria Helena e pai de Carolina, Érica e Marcelo. Em seguida, nasceu a primeira menina e seu nome seria Gisele. Vô Mário  cortou o LE e ficou somente Gise, que é a mãe do Bruno. Depois nasceu a segunda filha que seria Rejane, que, sem o RE, ficou Jane. Em seguida veio a terceira menina que seria Elisabete que perdendo o E  e o  BETE foi batizada de Lis. Depois néscio eu, Jan, nome  de um personagem de um livro que ele estava lendo. Os gêmeos foram batizados  homenageando duas pessoas. Glen, em homenagem ao maestro Glen Miller e Ed, nome de um grande amigo americano dele, Edmund Molloy, claro que o avô de vocês para não perder o hábito cortou o MUND, e ficou somente Ed.

- Bem criativo o vô Mário, não é Tio Jan? - falou o Bruno.

- É, mas vamos continuar a nossa estória. Advogado dos pobres, Mário Souto Maior foi promotor público de Surubim e João Alfredo, foi Prefeito de Orobó, professor da Escola Normal e do Ginásio de Bom Jardim, que fundou para que os meninos pobres de sua terra pudessem estudar e foi Inspetor Federal de Ensino do Ministério da Educação.

Em 1967 veio, com toda a família, morar no Recife, para que nós, seus filhos, pudéssemos estudar, já que em Bom Jardim não havia universidade. Foi trabalhar no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, hoje Fundação Joaquim Nabuco, onde começou a fazer suas pesquisas e escrever seus livros, sempre abordando o folclore como tema.

- O que é Folclore, Tio? - perguntou Érica.

- Folclore é o conjunto de tradições  e usos populares de um povo. Suas danças, comidas, adivinhações, sua maneira de falar e coisas mais.

- Difícil, não é Tio? - continuou Érica, sempre muito curiosa.

- É apenas trabalhoso e exige muita dedicação e paciência. Vô Mário começou a esçrever seus livros. Publicou Como Nasce um Cabra da Peste, que foi transformado em uma peça de teatro por Altimar Pimentel, seu amigo. Depois publicou Cachaça, Nomes Próprios Pouco Comuns, Comes e Bebes do Nordeste, Dicionário do Palavrão, num total de mais de setenta livros.

- Tantos assim, Tio? Pra que  vovô quer tantos livros ? - perguntou Lucas.

- Para que as pessoas possam pesquisar e aprender através deles.

- Hoje, com seus oitenta anos de muito trabalho e de muita luta é chefe da Coordenadoria de Estudos Folclóricos da Fundação Joaquim Nabuco, onde trabalha desde 1967. Mário Souto Maior - meu pai e avô de vocês - é poeta, contista, folclorista, escreve para revistas e jornais brasileiros e estrangeiros e já ganhou muitos prêmios.

- E vô tem taça? Quis saber Lucas.

- Tem sim, Lucas.

- Gooool!- gritou Eduardo levantando as mãozinhas e pulando.

- Com o livro Alimentação e Folclore, ele ganhou o prêmio Sílvio Romero (1979) do Ministério da Educação e Cultura e o Gran Prêmio Íberoamericano Augusto Cortazar (1989), do Fondo do Ministério de la Educación Y Justicia, da Argentina.

- Este ano ele está completando oitenta anos e agente vai fazer uma grande festa para ele.

- Vai ter bolo? - perguntou Bruno.

- Vai ter sim, Bruno. Guaraná, pipoca, bola de soprar, cocada, suspiro, algodão doce, e tudo o que ele merece.

E a garotada saiu da sala, fazendo a maior algazarra, cada um fazendo seus planos para comemorar o aniversário do avô, contador de estórias.




Após o seu falecimento, em 2001, achei mais uns 10 textos, entre eles, Um Menino Chamado Monteiro Lobato, Um Menino Chamado Rui Barbosa, Um Menino Chamado Câmara Cascudo e Uma Cidade Chamada Recife. Estou procurando patrocínio para publicar e distribuir os livrinhos.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

As Aventuras de Rodrigo Come-Come: O aniversário


Desenho de Ray Sofia
Desenho de Rayanna - 8 Anos
Era uma vez, uma girafinha de pescoço beeeeeeeeeeeeem comprido, chamada Rodrigo Come-Come. Rodrigo vivia sempre esfomeado, com a barriga roncando e não podia ver comida.

Um dia, Rodrigo foi convidado para uma festa de aniversário. No dia da festa, tomou banho, colocou sua melhor roupa e, como não gosta de chegar atrasado, foi correndo para o local da festa.

Para variar, chegou quase uma hora adiantado. Ainda não tinha chegado ninguém.  Mesmo assim Rodrigo resolveu dar uma olhada no salão da festa, e aproveitando que a porta estava só encostada, foi ver como estava  a arrumação.

O salão estava todo arrumado e tinha duas mesas bem no centro. Uma com um imenso bolo  e outra repleta de doces e salgados.

O cheiro do bolo começou a invadir o nariz de Rodrigo, ele se aproximou da mesa, olhou pro bolo enorme, de três andares, todo coberto de chocolate, uma beleza.  Não resistindo, passou a mão na barriguinha  e disse:

- Tá me dando uma fominnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnhaaaaaaaaaaaaaaac !!

E engoliu o bolo inteiro de uma vez só. Não sobraram nem as velinhas. Com uma abocanhada só, Rodrigo engoliu um bolo enorme de três andares. Assustado, olhou pros lados para ver se alguém já tinha chegado, mas viu que estava sozinho no salão.

Não satisfeito, Rodrigo se aproximou da mesa de doces e salgados. A mesa estava cheia. Empadas, pastéis, bem-casados, brigadeiros, queijadinhas e o seu doce preferido: quindim.

Irresistível !!!! Rodrigo se aproxima da mesa sem tirar os olhos das guloseimas, como se estivesse hipnotizado.  Sentiu o cheirinho de coisa gostosa. Passou a mão na barriguinha e disse:

- Tá me dando uma fominnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnhaaaaaaaaaaaaaaac !!

E comeu todos os doces e salgados de uma só vez!  Não sobrou nenhum para contar história.

De repente ele escuta vozes. E agora? Os convidados estão chegando....

Rodrigo se joga embaixo de uma das mesas e fica escondido pela toalha colorida que cobre a mesa e vai até o chão.

Quando os donos da festa entram no salão e se deparam com as mesas vazias ficam nervosos e sem entender o que tinha acontecido. Onde estão os doces? E o bolo? O bolo sumiu!!!

Rapidamente foram buscar um outro bolo, e alguns doces que tinham ficado na cozinha. Arrumaram rapidamente as mesas, para que o aniversariante pudesse comemorar com seus convidados.

Escondido embaixo de uma das mesas, Rodrigo Come-Come faz um esforço enorme para não fazer nenhum barulho. Mas o cheirinho de coisas gostosas começou a  chegar no seu nariz, e a barriguinha do Rodrigo começa a roncar.

As pessoas  ficaram sem  entender nada. Todos escutando aquele ronco baixinho, como se tivesse saindo do bolo.  De repente, sem agüentar mais, Rodrigo Come-Come  sai do seu esconderijo, avança para a mesa do bolo, passa a mão na barriguinha e diz:

- Tá me dando uma fominnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnhaaaaaaaaaaaaaaac !!

Engole o bolo todinho de uma só vez!  Depois do susto, o aniversariante e seus convidados percebem o que havia acontecido com os bolos e os doces e partem pra cima do Rodrigo.

Rodrigo sai correndo da festa, com toda  aquela multidão atrás dele e se embrenha na floresta, procurando um lugar para se esconder.  Correu muito, durante várias horas, até que não conseguiu mais ver ninguém atrás dele. Muito cansado, suado, sentou-se num tronco  próximo. Ofegante,  só sentia aquele vazio no estômago. Correu tanto que a fome bateu de novo. Passou a mão na barriguinha e disse.....